Muito pouco falamos sobre morte apesar de saber que ela virá, de uma forma ou de outra, para todos.
Então acontece um acidente, uma tragédia como essa de Santa Maria, com mais de 230 mortes e ela está ali, escancarada, estampada em todos os noticiários do mundo: a morte.
Viver é mesmo uma arte, mas morrer e deixar em paz quem morre também.
Assisti a esse espetáculo brutal com profunda dor e pesar pela vida de tantos jovens. Coisa tão grave não acontecia há muitos anos no Brasil. Nos deixa estarrecidos, sem saber bem que rumo tomar, meio desencontrados do mundo.
Essa é uma hora de reflexão, de introspecção e muita oração para que todos façam a viagem de forma tranquila, se é que poderíamos dizer isso de quem morreu em agonia.
O que não concordo é com o espetáculo que a mídia tem proporcionado com relação ao assunto, não deixando em paz quem se foi nem os parentes que estão precisando de muita compaixão e silêncio para velar seus mortos. Parece mesmo que todo Brasil virou juiz, fiscal e profundo conhecedor de Normas Técnicas de Segurança. Há uma busca desenfreada por culpados.
Quem foi mais culpado? Temos de chamar Sherlock ou está na cara e não vemos? Será que esta casa deveria ter autorização para funcionamento? Mas tinha, mesmo vencido, tinha alvará, um dia esse mesmo foi concedido. Os bombeiros vistoriaram... e deram aval para abrir.
Podemos listar um montão de gente responsável pelo acontecido mas em primeiro lugar está o estado, a meu ver.
Mas antes de tudo, ainda vem o caráter, a honestidade, a humanidade acima do dinheiro.
Por que me parece claro que rolou uma graninha para licenciamento dessa casa não? Ou os bombeiros e a prefeitura da cidade não conhecem normas técnicas? Não sei.
As opiniões se dão por todos os meios: redes sociais, entrevistas, etc.… Precisamos ter muito zelo com o assunto e não atropelar processos tão doloridos pelo que estão passando os parentes desses jovens.
Por que não calar e por que não deixar que esse momento tão delicado, seja assim: delicado?