Não sou careta ou antiquado, mas tenho minhas nostalgias.
Lembro que sempre tive boa memória e pautava os filmes que assistia pelo elenco. Sempre dei muita atenção para a atuação, pois esse ofício me fascina. Muitos filmes, com argumento fraco, texto fraco ou mesmo produções de menor custo, foram salvos pelos atores e atrizes que souberam pontuar emoções a ponto de nada mais fazer falta.
Desde os dezesseis anos, quando fiz curso de Stranislawsky, com Nair D’Agostini, no Instituto Goethe em Porto Alegre, compreendi o quanto esse universo (da interpretação) é complexo, rico e pode levar o espectador à traçar caminhos profundos e reflexivos.
Comecei a pensar nisso assistindo algumas minisséries passadas recentemente na TV. Observei que em quase todas podemos contar com uma nova “geração” de atores: os famosos ou os funcionais.
Gente que nunca sequer pensou em representar e que, claramente, não tem a menor noção da amplitude que isso pode ter. Os famosos, por chamar público e são eles: cantores(as), esportistas, modelos, ex-BBB… e, os funcionais, que são aqueles que tem a cara do personagem e sabem rir e chorar de mentirinha.
Funciona? Acho que sim, senão não estariam no ar. O povo assisti isso encoberto pela produção milionária e pelo malabarismo de autores e diretores, e acabam gostando, pois as referências que tem são poucas, devido a outro papo muito mais longo que aqui não vem ao caso.
Sendo assim, tenho tido cada dia mais dificuldade em assistir a programação de uma indústria que esquece que a mágica artesanal da imagem não pode ser dissociada da força do gesto e da palavra. Talvez more aí meu ranço, mas tenho a cada dia preferido buscar na filmografia de décadas passadas a destemida arte do controle, da entrega, do instinto selvagem do verdadeiro ator.