Morro de rir quando vejo anúncios com fantasias e acessórios sexuais pronta-entrega.
Principalmente se elas vêm em forma de "pop-up" bem no meio de um trabalho, de uma reunião, numa situação constrangedora para desavisados virtuais. E estranho também ver que os produtos são de um mau gosto atroz. Até aquele minúsculo uniforme de enfermeira, pela foto, dá prá ver que é mal cortado, costurado, feito.
Não conheço muitas pessoas que tenham estes mecanismos de desejo bem resolvidos a ponto de assumirem que os têm, mas intriga-me o fato de minha total repulsa à fantasias sexuais.
Sei sim que tenho um pedaço de mim (Ó metade arrancada de mim!) conservador e catedrático, mas, decididamente, não entendo fantasias de enfermeira/paciente, escravo/opressor, dentista/paciente, coelhinha/lobão, médico/paciente, a ala da medicina toda, a fauna toda, o setor de couros, o setor de borrachas...
Não me excita.
É isso.
Nunca me excitaria desta forma.
Só pensar em ver meu parceiro/a com um chicotinho, uma tanga e um aventalzinho com uma cruz vermelha, me dá vontade de sair correndo. Não é medo, é repulsa ao mau gosto.
E fiquei pensando com quais brincadeiras me excitaria e percebi:
Excitante mesmo eu acho um olhar mais de esguio, com o canto do olho, rápido, fulgáz, aterrador (pois existem olhares que contam uma vida em segundos).
Gosto também do jogo de descobertas arqueológicas no corpo de quem muitas vezes nem lembra de cicatrizes e pequenas marcas que deixam rastro de histórias vividas.
Ou então o beijo quente de lábios com palavras seguras, contidas, que aos poucos vão jorrando ao colo como se embalassem sonhos e abrissem caminhos para abraços nunca alcançados.
Ou ainda acessórios simples, como lençóis brancos, bem passados, com leve aroma de lavanda, flores-abertas-gigantes-vermelhas, champagne, luz baixa, cueca de seda listada, calcinha tipo calleçon cor-da-pele, música escolhida à dedo.
Esses são meus fetiches. Meus saltos no escuro, minha certeza segura da queda, minha fé.
Mas, não me entendam mal. O povo do chicotinho, pode (claro) e deve até continuar tentando. Talvez até alguns já conheçam esses jogos de que falo, talvez outros ainda estejam na busca do que a mim (e falo só por mim), é tão evidente, tão descaradamente simples, tão estúpidamente real.
De qualquer forma, qualquer maneira de amor vale a pena, como dizia o poeta, qualquer maneira me vale escrever.
Sigamos, amemos...